
Sempre olhei para a natureza em busca de explicações para o milagre da vida. Sempre esperei encontrar respostas em tudo que está ao meu redor. Eu sabia, e queria, que um dia, uma inspiração aparecesse.
Nas pequenas coisas, encontramos as maiores revelações de nossas vidas. Claro, quando temos nossas melhores ideias, é justamente quando entramos em contato com nossa criança interior. Os pequenos são grandes. Grandes, não: gigantes!
Gigantes na emoção, na compaixão, na doação, na atenção, na alegria, na vibração.
No exercício da psicopedagogia, em 14 anos me dedicando a curar dificuldades de aprendizagem, encontrei pequenos
pequenos. Achei estranha essa pequenez, vinda de um ser que deveria ser infinitamente maior que aquilo que me apresentava. Não é natural. Não tem compatibilidade com a grandeza de um pequeno, que deve ser pequeno apenas em estatura.
Há pouco tempo me deparei com o primeiro "gigante-anão". Sim, porque para mim, aquela criança estava como que comprimida dentro de uma casca tão rígida, que nem a face conseguia movimentar. E curiosamente, em pouco tempo vieram outros. Crianças que, eu sei eram grandes, mas estavam trancafiadas em circunstâncias que lhes foram impostas.
E por quê?
Os adultos se esquecem que são ainda crianças. Só porque ganham altitude, acham que chegaram onde todos querem chegar. Querem chegar ao topo, sentir o auge, conhecer o ápice. Só que quando chegam lá, sentem um vazio por ter chegado a lugar-nenhum. A esperança de se tornar alguém diferente e de repente nada acontecer, decepciona o ser adulto.
E a criança interior fica "de mal" com esse adulto, porque não ganhou nada. E o adulto fica com raiva, fica frio, fica sem ação. E faz de tudo para se sentir melhor, e até faz novas crianças. E passa a ensinar a ela como é ruim ser criança, porque também não vai ser ninguém lá na frente quando for a hora dela se tornar adulta, assim como ele não conseguiu.
E volto para meus alunos que eram
pequenos-minúsculos. Foi assim que perderam a graça. Perderam o sorriso. Perderam sua infância. Porque desacreditaram neles antes mesmo de ser-lhes dada a chance de desabrochar um adulto que manteve forte sua criança interior no decurso de sua metamorfose.
Eu penso sempre nesses meus amiguinhos, que pra eles já é tudo tão vazio, antes mesmo deles saberem o que é TUDO. A árvore da vida deles fica diferente...grosseira...e não deveria. É preciso gostar da nossa criança interior, o que ela conquistou ao chegar ao seu auge, para poder mostrar aos pequenos-gigantes que a vida é para ser vivida, com seus altos e baixos, e que aí está a beleza do nosso viver.
E uma das respostas que encontrei na natureza foi justamente essa. Olhemos uma árvore. A árvore é tal qual um ser humano.
Uma árvore precisa de uma raiz forte, entranhada na terra, para estabelecer-se como um ser desta Terra, e também o ser humano, ter os pés firmes no chão, entender suas origens e sentir forte relação com seus pais, já que estes lhe passaram todas suas codificações, pelo DNA, bem como sua vivência e convivência com o mundo. A raiz diz respeito, fisiologicamente, ao nosso sistema digestivo (da boca ao intestino), ou seja, tudo que se relaciona aos alimentos (tanto os alimentos do corpo, como os da alma). É preciso saber digerir. Uma pessoa equilibrada na raiz está com seu sistema digestório em dia. E tem movimento, poder de realização.
Assim como a árvore, nós também temos a nossa copa, nossa cabeça, onde estão nossos pensamentos. E nossa aura, toda nossa energia astral. Fisiologicamente, os veios das folhas são as nossas linfas. Nosso sistema imunológico. Geralmente temos rinite, sinusite e outros "ites" porque nossa copa está com hóspedes demais (pensamentos demais, principalmente os repetitivos). Dispersam nosso foco. Causam insônia, taquicardia, dores nas costas. E baixa imunidade.
Dá pra saber se a copa está saudável quando respiramos bem e dormimos bem. E não ficamos suscetíveis a vírus, fungos e bactérias.
E para dar a "liga" entre a copa e a raiz, temos o tronco, que em nosso corpo seria o tórax. Todos os nossos sentimentos representam o elo de ligação entre os pensamentos e o movimento que produzimos. Em nosso corpo físico, equivale ao sangue e à pele. Assim, qualquer sintoma que tenhamos em um destes, está relacionado ao que sentimos. Se sua pele está bonita e bem cuidada e seu colesterol está em dia, seus sentimentos estão fazendo isso com você. Parabéns!
E vamos todos cuidar de nossas crianças. Todas elas.
E que assim a Árvore da Vida possa crescer com raízes profundas e que, ao atingir seu cume, projete a frescura de suas folhas sobre uma criança que aí se deite para sonhar.