terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

ojeseD od ohlepsE

Existe um lugar
Dizem os alquimistas
Onde podemos encontrar
Algo fascinante
Para o bem ou para o mal

Ninguém realmente sabe ao certo
Alguns o procuram por perto
E outros nem mesmo cogitam sua existência
Porém, há os que dariam suas vidas para comprovar

Encontrar, creio não ser o mais intrigante
Pois nesse lugar existe um espelho magnífico
Com pés em forma de garras
E uma inscrição que diz
Ojesed od Ohlepse

Dizem os bruxos
Que refletido no espelho
Enxergamos o profundo da alma
Muito mais do que imagens estáticas
Mas o sonho em movimento

Ouvi de um grande mago
Certa vez
Que esse espelho é, em verdade, um instrumento
Pra se olhar nos próprios olhos
E se porventura conseguir enxergar
Simplesmente o próprio reflexo
É um sinal muito bom

Pois aquele que se enxerga a si mesmo
No Espelho de Ojesed
Não vê somente desejo de ser quem ainda não se é
Ou trazer de volta uma lembrança, mesmo que nunca vivida
Mas tem-se a certeza
de que é simplesmente
A pessoa mais FELIZ do mundo!

Mas até hoje não se sabe ao certo
De dama ou cavalheiro
Que tenha conseguido a façanha
E ter visto outra coisa
A não ser uma vontade desesperada
Refletida nesse espelho

E é preciso ter muito cuidado
Pois alguns podem ficar perplexos
Ou até mesmo perder a razão
Por não saber se o que tem no reflexo
É verdade ou inspiração

Portanto, caro leitor, espero de todo coração
Que você e eu
Possamos ficar livres dessa indecisão
E que a vontade de se olhar nesse espelho
Não seja nossa intenção

(Leia o título de trás pra frente)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Aprendendo a me pilotar


Avião no céu
Plana suave, direto
Motores a todo vapor
Conhece seu caminho, direção

De repente, nuvem carregada
Desespero e aflição
É o olho de um furacão
Intenso, sem fim
É o fim

Pilotar-se requer toda experiência
Um pouco mais, jamais o bastante
Levo na bagagem de mão
Em momentos de fúria da natureza
Pura emoção
Perco a razão

Liberdade agora assumida
Só reconheço depois do tufão
Turbulência, ciência exata do sim e do não
Vejo um Triângulo das Bermudas
Dobro um Cabo das Tormentas
É sim,  da Boa Esperança
Lá embaixo agora o Monte Vesuvio
Onde há fumaça....só fumaça?

Convém conhecer o terreno
Observar de cima caos e paz
E decidir mudar o rumo
Conforme a sede da alma
Que escolhe o destino do voo

Viajar para outras paisagens
Onde posso ver o mar ou as montanhas
Cascatas e vales
Onde a brisa é morna
E a chuva que cai me faz dormir
E sonhar com o meu lugar.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Esconde-Acha



Ser humano
Feito de raios e trovões
Chuvas e tempestades
Pensa que é
Aquilo que não é
Escolhe esquecer, mascarar
A grandeza de sua força
E paralisa nos versos de outros poetas
Que apenas escreviam o que lhes era a própria alma

Ser gente
Feita de barro doce
Dos dias de sol e céus azuis
Sabe o que é
Entende, mas não quer ver
Disfarça
E quando vê, a alma resplandece
E trilha seu caminho
Sem impor qualquer movimento, solta.

Na linha da vida é preciso estar atento
É o País das Maravilhas
E, por vezes, o caminho errado parece o certo
Parece TÃO certo
O gato confunde Alice
Com suas bocas e rabos que aparecem
E  logo desaparecem em meio a largos sorrisos

Mas a questão da alma
Com sussurros se mostra
Sutil, mas verdadeira
Falando suas verdades
Desejos implantados
Quem se importa?

É tempo de escutar
Essa canção que ressoa por todo o Ser
Singela e preciosa, elaborada
Sem intenção alguma
Mas muito intensionada
Enigma a ser decifrado
Impulso do Bem
Que nos faz seres humanos
Gente feita de gente
E que continua...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Arte que Inventei


Reuni todos os materiais
Lápis, Papel, Tintas, Sons
Corpo e Ânima
E mostrei no meu céu
A arte que inventei
Aquarela da vida

O elefante cinza se transforma
Num cálice de puro cristal
Água pura, pingos pulam do pincel
Molham a semente encrustrada na terra
Deixo molhar

Dela faço brotar
Linhas fortes e plenas
Uma árvore começa a ser esboçada
Acho graça, é sutil e delicada
Porém transcende mistérios de toda a Terra
Sal, Mercúrio e Enxofre

A árvore da vida
Embalada por quatro elementos
Água, Ar, Fogo e Terra
Enfim, realiza sua missão
E dá sombra, e dá frutos, respira, transpira
E espera.

E me convida pra sentar
E me ensina
A esperar.

Cavalo Alado

Tempo que vai
Tempo que passa a galope
Cavalo alado expressando sua liberdade, afinal
Sublimação

Tempo que nunca quer passar
Descanso numa rede que me segura, esqueço do mundo
Tempo que não existe
É tempo no vácuo da alma

Guardadas aqui dentro, impressões
Lembranças de outros tempos
Idas e vindas de vidas
Procuro e logo encontro as respostas
Reconheço e me encaixo
Sou parte do presente
O passado e o futuro são estrelas, constelações
Brilho do Sol para aquecer

Ouço o canto
Que só pode vir de lá
De dentro do núcleo regenerado, me encanto
Amor além do infinito

Saturno
Já passou, passou
E uma faísca inesperada
Acende e ilumina
Toda vida
E já não me preocupa o tempo
Pois que é apenas uma palavra: tempo
E mais nada.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Céu e Mar


Aos poucos vai tomando forma
Nem de longe é o mesmo retrato de antes
Mas uma aquarela de tons que mudam sempre
Mais fortes, mais fracos, rápidas pinceladas

Vez ou outra preto e branco
E entendo que assim
Encerra em si sua beleza
O contraste do sim e não

Incertezas absolutas
Novas certezas se fazem verdades
Um mergulho nas profundezas
Conheço a escuridão e dela brotam seres nunca imaginados

Um voo de balão na alvorada
E posso sentir a brisa morna, colorida
Respiro fundo
Aceitar o que parece inaceitável
Atingir o inatingível
O céu e o mar do meu ser
Eterno paradoxo
Não me dá sossego, me desafia

E começo a perceber
Que aceitar é serenar
Entender, compreender
E deixar
O vento levar
E as ondas do mar
Sem querer...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ponto de Mutação

Repetiam-se as dificuldades


como num feitiço do tempo

Espiralando qualquer motivação

num invisível ralo.



Já exausta e sem idéias

Achei estreito o meu espaço

Afinal, a justiça onde estaria?

Senti falta do sal que a alma alivia...



Mas desta vez assim me deixei ficar

Apenas assistindo este sentir

Sem debater nem lamentar

Aparente inércia, falsa entrega



Pude então vê-la! Criança batendo o pé!

Sem a resposta não vou mais brincar.

Não tenho mais fé

Fico aqui, ninguém se importa!



Como negar agora?

Com ou sem solução,

Cabe a mim o caminhar

Criar um sentido, motivar!



Movimento deixei nascer

No ponto de mutação

Na aceitação da aurora

da noite que eu prendia

Eternizava

No firmamento do meu ser.

(Patricia Montini)