"Trabalhar com amor é tecer a teia com fios tirados do coração,Um dom ou talento é manifestação do espírito de cada um de nós, humanos. Os dons podem até se encaixar em certas categorias, mas jamais são os mesmos dons, assim como cada um de nós é único.
como se aquele tecido fosse vestir a própria pessoa amada."
Conheci há alguns dias pessoas como qualquer um de nós, porém vi neles, dons que não imaginava que existissem. São pessoas que, acima de tudo, têm a chave para suas missões de vida nas próprias mãos e sabem que, apesar de lhes ser algo extremamente difícil e de terem consciência de quão longa é essa jornada , mesmo assim sabem que vão realizar, tanto o que desejam, como muitas outras coisas.
Estive num Encontro pela Inclusão, onde, claro, o foco principal era a Inclusão do Deficiente na comunidade, em suas várias formas.
Em meio a esse movimento pela inclusão, entendi que aquelas pessoas com algum tipo de deficiência, qualquer que seja, na verdade são muito mais, mas muito mais mesmo do que simplesmente pessoas que precisam da tal "inclusão".
Essas pessoas ENORMES possuem uma chama de vida tão radiante que me senti na necessidade de, de alguma forma, incluir-me a mim mesma na missão deles. Nasceu em mim uma coragem não sei de onde, um desejo forte de participar, um amor puro querendo realizar.
Esse encontro foi algo que jamais presenciei em toda minha caminhada de especialização em educação escolar, pois geralmente quem fala das pessoas com necessidades especiais são médicos e outros especialistas relacionados.
Mas este encontro, ao contrário, foi feito, como o nome diz, INCLUINDO os maiores interessados no tema: os próprios deficientes. Eles eram grande parte no encontro e isso já foi suficiente para que eu entendesse que o mundo está muito mudado - para melhor!
Essas pessoas, além de estarem limitadas de alguma forma, por outro lado possuem uma maneira totalmente livre para viver. Celebram a vida a cada minuto. Sentem a vida pulsando em cada gesto, cada palavra, cada movimento de respiração, cada olhar. E o olhar é incrível! Olhares de quem já viu muito e pode fazer um leigo em VIVER A VIDA, o que é realmente VIVER.
A verdade é uma só: a inclusão é necessária para que, quem vive uma vida normal, aprenda com eles qual o verdadeiro sentido em estar no mundo. A alegria de acordar um pouco melhor a cada dia. Ou a alegria de saber que não é preciso muita coisa pra ser feliz. E que a felicidade realmente existe. E que é de graça. E que é para todos, mesmo para aqueles que sentem algum tipo de dor, física ou emocional, ou mesmo a dor de um ser amado, que muitas vezes dói mais que a própria dor. E que é preciso reunir forças, porque ser feliz é simples, mas ninguém disse que é tão fácil assim. E que NINGUÉM é feliz, sem antes saber o que é tristeza. Desolação. Desespero. Desesperança. Fim.
Mas que, ao mínimo aceno de uma mão que ajuda, então toda uma vida pode mudar. Diante de uma palavra de conforto, o pouco torna-se muito. E o nada, quando parece mais nada, com o amor, vira dobro...triplo...infinito. Vira tudo!
A inclusão é muito boa para o deficiente, mas torna-se mais necessária para gerar mudança na vida dos que dela não precisam (os "normais"). A mudança que terá de ocorrer, mais cedo ou mais tarde. As pessoas vão ter que aprender o caminho do Amor. O caminho do auto-conhecimento. Do perdão. De não implicar. De nao invejar. De poder ser verdadeiro (consigo e com o outro). A grande diferença que transforma o coração de pedra em um coração novo, de carne, que pulsa pelo próximo. E o maior presente que uma pessoa pode dar a alguém é a sua amizade sincera e verdadeira, por onde as pessoas conhecerão o valor da vida. Eu desejo, eu desejo, de todo o coração, que o mundo seja de união.
