segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Acontecimentos

E então um mundo novo, totalmente novo
Foi criado
Em forma de lótus
Puro e alvo

E então a dúvida e a incerteza
Foram entendidas
E em forma de caminho
Andaram

E então toda a dualidade
Foi aglutinada
E em forma de Sol
Brilhou

E então o resto de dor que havia
Foi se interrompendo
E se recriando
Em forma de flor
Doce e serena

E só então se rebelou docemente
A verdade encrustrada
Foi doada
Em forma de amor e alegria
Sabedoria

E então do mundo nasceu este mundo
Tão antigo e tão novo
E foram se abrindo as camadas
Em forma de arco-íris
Uma a uma
Paz

domingo, 12 de dezembro de 2010

O que me pede o mundo



Alcançar o céu
E voar qual passarinho
Cantando com o vento no horizonte alaranjado
Ponto de encontro Lua e Sol
Plano do infinito

O centro que me centra
Vou nesse voo
Encanto refletido nas águas do mar,
Toda a fertilidade do mundo
Penso em tudo num segundo

O que me pede o mundo
É apenas uma prece
Em forma de coração:
Amor entre todos os seres
Sem distinção

Um catavento de compaixão
Girando a vida numa roda
Vai e volta em um só giro
Ida, ponto de partida
Na volta, muito diferente

Mescla todas as cores
E reconheço meu lugar
Felicidade is in the air


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Felicidade




A felicidade aparece para aqueles que choram.



Para aqueles que se machucam.


Para aqueles que buscam e tentam sempre.






Clarice Lispector

terça-feira, 20 de julho de 2010

Renascimento

Escutei o chamado
Atendi na mesma hora
HOJE
Não ouso esperar
Senti que era pra ser assim:
Hoje e fim.
Estou calma
Eu não, minha alma.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Dia de Flor

"E então chegou o dia em que o risco de permanecer no aconchego do botão doeu mais que o risco de florescer a rosa." Anais Nin

sábado, 10 de julho de 2010

Prece

Concedei-me Senhor, a

Serenidade

para aceitar as coisas

que não posso modificar,

Coragem

para modificar aquelas

que posso, e

Sabedoria

para distinguir a diferença.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Unindo Retalhos


Pedacinhos de pano
Corto pra juntar depois
Patchwork
Unir retalhos da vida
Que a própria vida separou


Tecido lindo, intacto
Porém é so um tecido
Pode ser dobrado e guardado
Mas se unido com outros tantos retalhos
Pedacinhos claros e escuros
Multicores
Posso fazer um mosaico
E com ele enfeitar ao redor

O mosaico que faço
Costuro, alinhavo
Corto linhas suaves
Outras preciso acertar
Algumas resolvo deixar
A integridade de sua falha

Ainda sobra espaço, tempo
Quando termino o trabalho
Para nele bordar emoções, sentimentos
Criar desenhos ou apenas curvas
Técnica que aprendi
Elaborar o que está por vir

Com muito trabalho
Paciência, estudo, persistência
Tudo agora faz sentido

Cada pedaço cortado
Era mesmo parte do projeto
Deste Patchwork da vida

Dança de agulha, linha e tecido
Unindo de vez
O que a vida separou

Desse jeito, estou criando, recriando
Num passo-a-passo sem fim
A história de mim.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sonho de Consumo

Entrei na aula de patchwork e logo colocarei fotos dos primeiros trabalhos. Tenho 2 almofadas em andamento. Desde sempre a técnica me interessou bastante, cheguei a comprar uma máquina de costura há uns 10 anos e até um livro nos EUA (há 14)  e agora, finalmente, estou realizando esse grande sonho. E descobri mais uma coisa que quero muito fazer....olha q delícia!

Q paixão, gente!!!!Bjs a todos!!!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Saudações

Capto no vento
Impressões
Vibrações
Coragem, fé e determinação

Sabor de vitória
Com coração tranquilo
Semente caindo em terra fértil
Broto de vida

Brisa suave, mente serena
Sol cobrindo por inteiro
Dança do corpo
Brincando com o espírito
Doçura, leveza, ternura
Harmonia

Termina aqui
Começa logo ali
Duas crianças inocentes
Quanta saudade, quanto amor!
União do céu-terra-Homem
É só AMOR
Enfim, UM só.


Mãos Abertas


Nesta prece, Senhor, venho te oferecer,


O crepitar da chama, a certeza do dar!


Eu te ofereço o sol que brilha forte,

Te ofereço a dor do meu irmão.

A fé na esperança, e o meu amor!


Nesta prece, Senhor, venho te oferecer,

O crepitar da chama, a certeza do dar!

Eu te ofereço as mãos que estão abertas,

O cansaço do passo mantido,

Meu grito mais forte de louvor!



Nesta prece, Senhor, venho te oferecer,

O crepitar da chama, a certeza de dar!


Eu te ofereço o que vi de belo,

No interior dos corações,

A coragem de me transformar!



Nesta prece, Senhor, venho te oferecer,

O crepitar da chama, a certeza de dar!

domingo, 14 de março de 2010

Feridas escondidas

Feridas escondidas
O que um trauma pode causar em você

Por Gastão Ribeiro
"A conclusão é radical… todos em uma sociedade moderna virtualmente sofrem de traumas.”
Robert Scaer

Há alguns anos venho estudando de forma aprofundada o TEPT (Transtornos de Estresse Pós-Traumático) e seus mecanismos. Este sintoma abandonado por Freud, que no começo da psicanálise utilizava o método catártico de Breuer acreditando que usando a hipnose e acessando o trauma acabaria com os sintomas histéricos. Com a descoberta da associação livre Freud largou a hipnose e a teoria do trauma. Assim como a hipnose o trauma caiu em esquecimento, escondido em uma falsa crença que a teoria do trauma era uma idéia ultrapassada.

Com o aumento das guerras, dos conflitos religiosos, terrorismo e violência urbana o TEPT voltou a aparecer, e com ele uma série de sintomas atuais, como ansiedade, pânico, TOC, dores, Fibromialgia, obesidade, etc.. Todos estes sintomas escondidos atrás da defesa primária do trauma, a Dissociação.

Não podemos mais fechar os olhos a esta nova forma de pensar a psicoterapia. O terapeuta, médico, clínico, profissionais de educação atuais não podem ficar alheios a estas informações e dos caminhos do trauma.

O que era um Trauma ou Transtorno de Estresse Pós-traumático

Para o DSM IVA característica essencial do Transtorno de Estresse Pós-Traumático é o desenvolvimento de sintomas característicos após a exposição a um extremo estressor traumático, envolvendo a experiência pessoal direta de um evento real ou ameaçador que envolve morte, sério ferimento ou outra ameaça à própria integridade física; ter testemunhado um evento que envolve morte, ferimentos ou ameaça à integridade física de outra pessoa; ou o conhecimento sobre morte violenta ou inesperada, ferimento sério ou ameaça de morte ou ferimento experimentado por um membro da família ou outra pessoa em estreita associação com o indivíduo.

O que é um Trauma

Trauma em grego significa ferida. Robert Scaer em 2001 introduziu um novo conceito, o conceito de Barreiras. As pessoas a partir de suas experiências da vida passam a criar barreiras e limites de proteção e segurança. Um trauma é uma situação que rompe essas barreiras e limites que faz com que a pessoa paralise no tempo e no espaço. Excede todos os limites de segurança e suporte.

Os sintomas do Transtorno de Estresse Pos-traumático, formam um processo em espiral que acionam os mecanismos biológicos mais primitivos que faz parte da nossa herança evolutiva. A reação do organismo para sobreviver a uma ameaça, é: FUGIR, LUTAR OU CONGELAR .

Quando as respostas de fuga ou luta são impedidas, a imagem do evento fica congelada, criando uma grande confusão nas pessoas, impedido-as de ter uma vida normal.

Os sintomas traumáticos não são causados pelo acontecimento desencadeador em si mesmo. Eles vêm do resíduo congelado de energia que não foi resolvido e descarregado; esse resíduo permanece preso no sistema nervoso onde pode causar danos corporais e emocionais.

Os sintomas em longo prazo são debilitantes e freqüentemente bizarros e se desenvolvem quando não podemos completar o processo de entrar, atravessar e sair da "imobilidade" ou do estado de "congelamento".

O trauma deixa Traços Mnemônicos que são como marcas, sempre que é revivido com intensidade provoca retraumatizações. O afeto fica preso dentro das marcas, quanto mais profunda a marca, mais o afeto fica aprisionado.

Trauma e Dissociação

Dissociação foi um termo criado por Janet no final do século XIX para descrever um estado mental onde ocorre um rompimento de consciência. Durante a Dissociação o indivíduo experimenta distorções de memória, afeto, percepção ou senso de identidade. É comum ocorrer durante a Dissociação alterações de percepções, como: sensações somáticas, tempo, períodos de amnésia, irrealidade e despersonalização. Em estados clínicos mais graves ocorrem sintomas de conversão, estado de fuga e desordem de personalidade múltipla (Desordem Dissociativa de Identidade).

A Dissociação ocorre quando a ansiedade se torna tão esmagadora que certos aspectos da personalidade se tornam dissociados ou se separam um do outro. As manifestações de dissociação servem para proteger o indivíduo do conflito que produz a ansiedade. A Dissociação é um mecanismo de proteção psicológica ao medo e a ansiedade.

Traumas e Sintomas Psíquicos

Um Trauma pode estar na base de algumas patologias psíquicas, e é a Dissociação a causadora destes fenômenos e sintomas psíquicos e somáticos.

Trauma e Dor

A Dissociação também pode aparecer como sintomas somáticos e dor. A dor serve para abafar a ansiedade esmagadora do trauma. Ela esta geralmente associada à parte ou região machucada do corpo, especialmente a uma das extremidades ligadas ao evento traumático sendo que anormalidades também podem aparecer na postura.

Na dor crônica causada por traumas, vemos que a postura inconsciente do paciente não reflete tão somente a dor, mas também a experiência do evento traumático que produziu a dor. Muitos desses pacientes manifestam “achados fisiológicos” que os rotulam como pacientes de dor crônica, fibromialgia por seus médicos.

Traumas e TOC

A Dissociação também pode aparecer como rituais e comportamentos obsessivos, isto é, as pessoas começam a planejar rigidamente cada hora de seu dia e fazendo uma organização metódica em suas vidas, a fim de evitar a intrusão da ansiedade do TEPT.

Traumas e TDAH

A Dissociação pode provocar uma série de problemas nas funções de processamento cognitivo e mental. A Dissociação provoca uma disfunção na atenção concentrada, as pessoas perdem a habilidade em acessar novas informações, negligenciam e ignoram detalhes importantes das informações. Os sintomas parecem com o TDAH, pois afetam a memória de curto prazo e atenção. Adultos vítimas de trauma têm sido recentemente diagnosticados como tendo DDA adulto (Distúrbio de Déficit de Atenção), mas gerados por efeitos da Dissociação.

Traumas e Pânico

Os estudos atuais de Neurofisiologia mostram que a amígdala do hipocampo tem uma função “emocional”, age independentemente do neocórtex. Ele pressupõe que algumas reações emocionais e memórias podem ser formadas sem a participação da consciência cognitiva do neocórtex. Quando as pessoas estão sob forte estresse elas secretam hormônios endógenos de estresse que reforçam a consolidação da memória traumática. Ele pressupõe que a secreção massiva de neuro-hormônios, no momento do trauma, desempenha um papel na potenciação das memórias traumáticas que podem reaparecer ao longo da vida.

E este passado, carregado de forte teor emocional, tem uma influência nas memórias impressas para controlar nosso funcionamento presente e nossas relações atuais, tornando as pessoas mal adaptáveis. Os Sintomas de TEPT aparecem ao longo da vida sob a forma de Pânico, embora a pessoas não consigam fazer nenhuma relação com a cena traumática em função da dissociação.

Traumas e Histeria de Conversão

A histeria de conversão, ou “reação de conversão” foi descrita inicialmente em detalhes por Janet e Freud. A conversão é considerada uma proteção contra níveis intoleráveis de ansiedade ou medo. A ansiedade é “convertida” em sintomas nos órgãos ou outras partes do corpo e geralmente apresentam-se como sintomas neurológicos sensoriais ou motores.

Estes sintomas representam o conflito mental, gerando ansiedade. A conversão de uma ansiedade intolerável em um sintoma físico traz grande alivio emocional, por isto as pessoas demonstram não se importar com a condição física incapacitadora. A paralisia histérica aparece de forma sistemática em soldados traumatizados por “traumas de guerra” ou “fadiga de batalha”.

A paraplegia histérica é comumente achada em vitimas de abuso sexual na infância e é uma forma de proteção contra uma exposição maior à fonte do trauma.
A reação de conversão então é um exemplo de dissociação somática em resposta a uma reação ao trauma. O paciente com reação de conversão tem um trauma no passado, que associado com um novo trauma no presente precipita o sintoma de conversão. Frequentemente os clientes com conversão tem um histórico de abuso severo na infância.

Traumas e Doenças Físicas

Muitas das doenças de causas desconhecidas que estão ligadas diretamente ao estresse traumático. As síndromes de espasmos musculares suaves/ ou ulceração do sistema gastro-intestinal estão associadas com exposição ao estresse crônico na maioria dos casos.

Um trauma pode causar cardio-espasmo no esôfago, refluxo gastroesofagal, úlcera péptica, colite ulcerativa e síndrome do intestino irritável.

A cistite está associada com úlceras dolorosas na bexiga e sintomas de desernegia motora na bexiga, também de causa desconhecida. Enxaqueca clássica é claro, é um exemplo prototípico de manifestações vasculares de desregulação cíclica autônoma e tem sido ligada a trauma do passado.

Além disso, muitas doenças crônicas têm a sua origem em um trauma. O câncer e doenças do coração estão associados às estatísticas de TEPT. O trauma é acumulativo e pode contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas seletivas, como também, contribuir para o progresso dessas doenças.

Fonte –
Gastão Ribeiro Apostila de Psicoterapia do Trauma - Módulo 2 – TFT e EFT – 2006.
Uri Bergmann, L.C.S.W., B.C.D. - ESPECULAÇÕES SOBRE A NEUROBIOLOGIA DO EMDR - 2001.
Servan- Schreiber - Curar – Editora Sá – 2004.
Scaer, R. (2001). The Body Bears the Burden: Trauma, Dissociation and Disease, Binghampton: - The Haworth Press, 2001.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Lua

Debaixo da luz da lua
Quase hora de dormir
Dois companheiros assistem ao espetáculo
Tudo é motivo pra sorrir

Me ensina coisas sobre o céu
Que eu te conto como foi o meu dia
Assim é gostoso sentir
Um carinho que nos guia

Com um telescópio podemos viajar
Pai, filho, constelações
Seguir o rastro da lua
Que ilumina nossos corações
(Poema feito com meu filho - tarefa de escola)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

ojeseD od ohlepsE

Existe um lugar
Dizem os alquimistas
Onde podemos encontrar
Algo fascinante
Para o bem ou para o mal

Ninguém realmente sabe ao certo
Alguns o procuram por perto
E outros nem mesmo cogitam sua existência
Porém, há os que dariam suas vidas para comprovar

Encontrar, creio não ser o mais intrigante
Pois nesse lugar existe um espelho magnífico
Com pés em forma de garras
E uma inscrição que diz
Ojesed od Ohlepse

Dizem os bruxos
Que refletido no espelho
Enxergamos o profundo da alma
Muito mais do que imagens estáticas
Mas o sonho em movimento

Ouvi de um grande mago
Certa vez
Que esse espelho é, em verdade, um instrumento
Pra se olhar nos próprios olhos
E se porventura conseguir enxergar
Simplesmente o próprio reflexo
É um sinal muito bom

Pois aquele que se enxerga a si mesmo
No Espelho de Ojesed
Não vê somente desejo de ser quem ainda não se é
Ou trazer de volta uma lembrança, mesmo que nunca vivida
Mas tem-se a certeza
de que é simplesmente
A pessoa mais FELIZ do mundo!

Mas até hoje não se sabe ao certo
De dama ou cavalheiro
Que tenha conseguido a façanha
E ter visto outra coisa
A não ser uma vontade desesperada
Refletida nesse espelho

E é preciso ter muito cuidado
Pois alguns podem ficar perplexos
Ou até mesmo perder a razão
Por não saber se o que tem no reflexo
É verdade ou inspiração

Portanto, caro leitor, espero de todo coração
Que você e eu
Possamos ficar livres dessa indecisão
E que a vontade de se olhar nesse espelho
Não seja nossa intenção

(Leia o título de trás pra frente)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Aprendendo a me pilotar


Avião no céu
Plana suave, direto
Motores a todo vapor
Conhece seu caminho, direção

De repente, nuvem carregada
Desespero e aflição
É o olho de um furacão
Intenso, sem fim
É o fim

Pilotar-se requer toda experiência
Um pouco mais, jamais o bastante
Levo na bagagem de mão
Em momentos de fúria da natureza
Pura emoção
Perco a razão

Liberdade agora assumida
Só reconheço depois do tufão
Turbulência, ciência exata do sim e do não
Vejo um Triângulo das Bermudas
Dobro um Cabo das Tormentas
É sim,  da Boa Esperança
Lá embaixo agora o Monte Vesuvio
Onde há fumaça....só fumaça?

Convém conhecer o terreno
Observar de cima caos e paz
E decidir mudar o rumo
Conforme a sede da alma
Que escolhe o destino do voo

Viajar para outras paisagens
Onde posso ver o mar ou as montanhas
Cascatas e vales
Onde a brisa é morna
E a chuva que cai me faz dormir
E sonhar com o meu lugar.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Esconde-Acha



Ser humano
Feito de raios e trovões
Chuvas e tempestades
Pensa que é
Aquilo que não é
Escolhe esquecer, mascarar
A grandeza de sua força
E paralisa nos versos de outros poetas
Que apenas escreviam o que lhes era a própria alma

Ser gente
Feita de barro doce
Dos dias de sol e céus azuis
Sabe o que é
Entende, mas não quer ver
Disfarça
E quando vê, a alma resplandece
E trilha seu caminho
Sem impor qualquer movimento, solta.

Na linha da vida é preciso estar atento
É o País das Maravilhas
E, por vezes, o caminho errado parece o certo
Parece TÃO certo
O gato confunde Alice
Com suas bocas e rabos que aparecem
E  logo desaparecem em meio a largos sorrisos

Mas a questão da alma
Com sussurros se mostra
Sutil, mas verdadeira
Falando suas verdades
Desejos implantados
Quem se importa?

É tempo de escutar
Essa canção que ressoa por todo o Ser
Singela e preciosa, elaborada
Sem intenção alguma
Mas muito intensionada
Enigma a ser decifrado
Impulso do Bem
Que nos faz seres humanos
Gente feita de gente
E que continua...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Arte que Inventei


Reuni todos os materiais
Lápis, Papel, Tintas, Sons
Corpo e Ânima
E mostrei no meu céu
A arte que inventei
Aquarela da vida

O elefante cinza se transforma
Num cálice de puro cristal
Água pura, pingos pulam do pincel
Molham a semente encrustrada na terra
Deixo molhar

Dela faço brotar
Linhas fortes e plenas
Uma árvore começa a ser esboçada
Acho graça, é sutil e delicada
Porém transcende mistérios de toda a Terra
Sal, Mercúrio e Enxofre

A árvore da vida
Embalada por quatro elementos
Água, Ar, Fogo e Terra
Enfim, realiza sua missão
E dá sombra, e dá frutos, respira, transpira
E espera.

E me convida pra sentar
E me ensina
A esperar.

Cavalo Alado

Tempo que vai
Tempo que passa a galope
Cavalo alado expressando sua liberdade, afinal
Sublimação

Tempo que nunca quer passar
Descanso numa rede que me segura, esqueço do mundo
Tempo que não existe
É tempo no vácuo da alma

Guardadas aqui dentro, impressões
Lembranças de outros tempos
Idas e vindas de vidas
Procuro e logo encontro as respostas
Reconheço e me encaixo
Sou parte do presente
O passado e o futuro são estrelas, constelações
Brilho do Sol para aquecer

Ouço o canto
Que só pode vir de lá
De dentro do núcleo regenerado, me encanto
Amor além do infinito

Saturno
Já passou, passou
E uma faísca inesperada
Acende e ilumina
Toda vida
E já não me preocupa o tempo
Pois que é apenas uma palavra: tempo
E mais nada.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Céu e Mar


Aos poucos vai tomando forma
Nem de longe é o mesmo retrato de antes
Mas uma aquarela de tons que mudam sempre
Mais fortes, mais fracos, rápidas pinceladas

Vez ou outra preto e branco
E entendo que assim
Encerra em si sua beleza
O contraste do sim e não

Incertezas absolutas
Novas certezas se fazem verdades
Um mergulho nas profundezas
Conheço a escuridão e dela brotam seres nunca imaginados

Um voo de balão na alvorada
E posso sentir a brisa morna, colorida
Respiro fundo
Aceitar o que parece inaceitável
Atingir o inatingível
O céu e o mar do meu ser
Eterno paradoxo
Não me dá sossego, me desafia

E começo a perceber
Que aceitar é serenar
Entender, compreender
E deixar
O vento levar
E as ondas do mar
Sem querer...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ponto de Mutação

Repetiam-se as dificuldades


como num feitiço do tempo

Espiralando qualquer motivação

num invisível ralo.



Já exausta e sem idéias

Achei estreito o meu espaço

Afinal, a justiça onde estaria?

Senti falta do sal que a alma alivia...



Mas desta vez assim me deixei ficar

Apenas assistindo este sentir

Sem debater nem lamentar

Aparente inércia, falsa entrega



Pude então vê-la! Criança batendo o pé!

Sem a resposta não vou mais brincar.

Não tenho mais fé

Fico aqui, ninguém se importa!



Como negar agora?

Com ou sem solução,

Cabe a mim o caminhar

Criar um sentido, motivar!



Movimento deixei nascer

No ponto de mutação

Na aceitação da aurora

da noite que eu prendia

Eternizava

No firmamento do meu ser.

(Patricia Montini)